segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Anoitecer

O nosso sol pôs-se agora
Nesse momento a vida, despede-se
Transmite-se, pelo olhar, pela voz
Por gestos infindáveis

Deixando nosso querer, nas palavras
Ao outro, e põe tudo para fora
O que se é de dentro
Confessa e completa

Silenciosa, horrenda, imperfeita
Beleza de um pensamento
Tão distante, uma jornada espinhosa, leva

Cego, ansiado na temerosa treva
Que leve embora, pro seio dessa terra
A beleza declinada do (des) amor
Revestido do véu da dor
(amos)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Fim do poeta

Palavra de um ex-vivo
Da sua viciosa vida
Deixa esses simples versos
Sem heróis sem quimeras

Sobre o túmulo da saudade, amargura
Na noite fria, úmida pouco estrelada
Sem gritos, sem destino, sem cura
No deserto da noite, alma desvairada

Velando, agoniado, estremecia
Sustentava um triste amor, mortal
Eis agora no corpo a dor infernal
Envolvido, pela fúnebre escuridão, gemia

Infeliz lembrança causa horrores
Como o espinho do medo
Cravado no peito, causa ainda dores

Coberto de lama apodrecera
Desgraçado moribundo
Esquecido assim, agora jaz

(amos)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Quero-quero

O quero-quero
Desce
Na pastagem ou banhado
Canta forte
Que espanta-boiada
Briguenta ave majestosa

O quero-quero
Agora
Sobe
Deixando silêncio
No campo e na estrada
Deixando minha vida
Mais saudosa

(amos)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mar mundo fim

Mar mundo fim

Mar fim de um mundo

Mundo meu
Mundo breu

Mundo de muros
Mar fim fundo

Mundo fim
É o fim do mundo
Meu

Mar mundo
Meu fim

(amos)