quinta-feira, 23 de junho de 2016

Quase um Haikai Tupiniquim - Da semelhança

como corpo (im)possível
um mergulho
no teu corpo (in)visível
no mar bravio
noturno e (in)dizível

Quase um Haikai Tupiniquim - Do Corpo

O corpo (é) nada
No rio raso
Do silêncio
Noturno
Das tuas palavras

sábado, 28 de dezembro de 2013

Da pele



A brancura suave da tua pele confunde
O vôo noturno do anjo celestial
E o calor que sobe é semelhante
O fogo do juízo final

E o infinito som do gemido
Abre a porta para o abismo infernal
E do céu desce o “fogo misturado”
“com o sangue” do pecado carnal

E quando docemente a chama toca
O mar da pele, tranqüilo queima
E o vento santo do desejo acalma

Esse fogo que acende na alma
O gosto amargo do santo pecado
Que no ventre da alma eternamente fica marcado.

(Amos)

sábado, 23 de novembro de 2013

Do cabelo



Teu cabelo que ondula
No vento sereno da saudade
E um infinito mundo revela
A beleza do instante devasso da insanidade

E indefeso o pensamento navega
No mar bravio abstrato
E no incandescente desejo nefasto
Que constantemente tudo cega

E na escura ilusão que tudo devora
Busca, a incerteza da luz branca da aurora
Mas o farol da solitária luz que guia

Por entre as dores do triste nevoeiro
Atrai para longe, lá, para a prisão da agonia
E faz do navegador teu eterno prisioneiro
(amos)

sábado, 28 de julho de 2012

Julgamento de uma santa


Emergindo na escuridão és tão perigosa
Que encanta todos com esse falso brilhar
Quem és tu, maldita flor espinhosa
Quando vós vejo, fere o meu olhar

Como orvalho em cristal, desce com calma
Pende e cai doce, mas como uma faca fere a alma
Oh! Desgraçada intensa agonia
Maldito são seus espinhos que fundo feria

Mas tu de linda flor virginal
É agora a louca prostituta da orgia
E nas pétalas cheias de segredo, agora és tão banal

Mas tu, prostituta que de tudo ria
Agora lagrimas entre os espinhos, florescia
E no inferno, prostituta tens sua nova santa moradia
(amos)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Desalento De um (D)eu(S)

Nesse maldito ser humano
 Pressinto um triste espanto
Desequilíbrio silencioso gera-lhe o pranto
Blasfema desgraçado ser profano?

E quem te tira da perpetua tortura
Desventurada, miserável criatura
Em si só uma esperança. De um tumulo
Com a grandeza do escuro absoluto

 Que brote ainda a santa fé infinita
Nessa triste alma maldita
E nesse leito da morte a dor seja imensa

Estenda teu olhar para o infinito
Mas se a fé bendita faltar - filho maldito
Leve junto para o tumulo essa descrença.

(amos)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Da morte

Abraça-me oh morte
 Leva para si esse filho doente
Leve-me ao escuro do teu infinito
 Dei-me o teu castigo maldito

O corpo apodrecera coberto de terra
Mas a alma calejada aqui te espera
 Eis o ultimo desejo, do moribundo
 -Abandonar as inglórias desse mundo

Deixar de ser a viva matéria
Ser entulho guardado no cemitério
 E ser apenas restos podres em demasia

Ah mas que fim mais inglório
Que o destino me guardou
Hoje esquecido no tumulo, nada sou.

 (amos)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Do Adeus

Um dia morto a morte vem perdida
Cheio de consolo para a vida
-E o que há para o conforto do peito
Parar de vagar e morrer no leito

Onde a escuridão deixa-me amedrontado
E as lagrimas da saudade transborda
Tanto que busco paz na triste corda
-E o nó que destes, deixa mais um sepultado

Fugi para o vale do descanso profundo
-Falhou quando deu adeus ao mundo
Pedi perdão ao céu oculto pelo nevoeiro

-E um desapontado riso ecoou na escuridão
Riso esse foi do maldito coveiro
Que rejeitou minha (in)decisão

(amos)