sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Vazio noturno

No vazio noturno
Muda o turno
Torno tronco

E todos trancam
As portas e janelas
Do centro e das favelas
E fora fica a fome

Do menino que dorme
Silencioso acorda
No meio da desordem

Desordenados outros tantos
Também acordam
Acordados e alimentados
Tão vaidosos vão

E esquecem o menino
Faminto deitado no chão
Com pouco peso
Preso na solidão

Sem solução
Com soluços
Soluçando a fome
O menino some
No meio da multidão

(amosventura)

3 comentários:

  1. Um vazio prenhe de sentidos...

    Obrigada pela visita ao Nudez Poética!

    Um abraço,
    Lou

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  2. indubitavelmente explêndido...
    formidável

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